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sábado, julho 07, 2012

No Verão nada melhor que um TANQUE

Tanque Silva,

Nome que passou por Portugal um pouco incógnito. Beira Mar em 2004-2005 foi a sua estação, talvez mesmo um apiadeiro nesta estrada de Tanque Silva que foi andar de clube em clube.

O certo é que depois do Beira Mar os grandes clubes tomaram conta desta Tanque.
Veléz Sarsfield, Newells, Fiorentina!! e Boca Juniors.
Tanque a mostrar que estava ainda pronto para a guerra. Nesse ano em 2004, Tanque Silva marcou 2 golos no Estádio da Luz na vitória do Beira Mar sobre o Benfica. Um Tanque a dar banho aos benfiquistas nesse jogo.
Terá sido das melhores vitórias de Luís Campos como mister.

Mas voltando aos dias de hoje, Tanque Silva, fez das suas. Após perder contra o Corinthians a final da Copa Libertadores... ficou com um iphone de ultima geração para ligar a um familiar no balneário...
muito bom esta ataque do Tanque!!



http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=766287#.T_eDHj7BwJk.blogger

domingo, janeiro 30, 2011

Na Paas de um WC

A eterna questão: se o Manuel Subtil* fosse um jogador de futebol, quem seria?
Os nomes que imediatamente saltam à mente serão porvantura Barroso (por razões de natureza intestinal), Vukcevic (insanidade) e quiçá Dani (natureza sexual). E ainda há a hipótese de encontrarmos o Mamadu Bobó por lá escondido da bófia após ter finalmente ceifado a vida a um adversário em pleno relvado.

Mas este vosso escriba grita Paas a plenos pulmões. Mantenho a minha forte convicção de que o belga David seria bastante fácil de encontrar nuns quaisquer insalubres lavabos (da RTP ou não), por ser extremamente parecido com um piaçaba: é demasiado rígido de movimentos, erecto (insert sex joke here), branco, com uma escovinha no topo e ocasionalmente borrado de trampa.

Já agora - que falamos de fezes - conhecem a expressão "se a merda fosse ouro, X seria um tesouro"? Infelizmente, adaptando a dita frase ao nosso belga preferido, se o golo fosse ouro, Paas não seria certamente um tesouro: quatro (4) tentos em trinta e cinco (35) desafios não será porventura uma marca ao alcance de qualquer utensílio de WC, mas acredito piamente que caso puséssemos um piaçaba de 1m85 enterrado na marca de penalty durante 35 jogos a levar com cruzamentos de Capucho, Paneira, Riva, Fangueiro, Basílio Almeida, Quim Berto, e do Filho do Vento, a redondinha acabaria por fazer ricochete na escovinha e beijar a rede por mais de 4 vezes. Digo eu. Mas eu também pensava que um saca-rolhas só servia para tirar rolhas de garrafas e ocasionalmente para limpar o lixo das unhas, e o Mundo provou-me que estava errado, portanto não liguem.

A história foi bonita, mas curta. Após três anos a ouvir a "Return of the Mack" no balneário através do Ghettoblaster do Kasongo, David fartou-se e regressou à terra natal para limpar retretes na Primeira Divisão local durante mais meia dúzia de anos.

Por cá, órfãos de piaçaba, vimos a sanita da nossa bola encher-se de castanho durante épocas a fio, sempre na esperança que regresse um novo piaçaba para fazer a ménage. Ou que alguém se decida a puxar o autoclismo.

Post Scriptum Cromatium: dois posts seguidos em torno de matéria fecal.
Post Scriptum Cromatium II: para quem tem memória curta (ou selectiva), o Subtil foi o gajo com mau aspecto que se barricou no WC da RTP há uma década. Ameaçou explodir bombas, cometer suicídio, e pediu uma pizza. Basicamente o que todos nós fazemos quando vamos mandar um fax e temos prisão de ventre.

terça-feira, outubro 12, 2010

Todo o Cuidado é Pouco

Se passeássemos pela cidade berço nos inícios dos anos 90, algumas cautelas teriam de ser observadas. Nomeadamente:
- não podíamos carregar objectos cortantes nem artefactos explosivos;
- recipientes contendo mais de 100 ml de líquidos não poderiam ser transportados connosco;
- era forçoso evitar contacto ocular directo com Bené e Jorge.
As duas primeiras medidas foram tão célebres que, passados alguns anos, todas as companhias de aviação acharam graça e adoptaram-nas como suas; todavia, as gentes de Guimarães já há muito tinham abandonado essas práticas por ser virtualmente impossível controlar os destemperados Insane Guys.
Onde a porca torcia o rabo era mesmo na terceira medida.

Bené possuía um aspecto sinistro a que nem faltava uma perturbante cicatriz debaixo do olho. O olhar esgazeado, a forma carniceira como se lançava de pitons em riste sobre os adversários, as cabeçadas extemporâneas. Bené era para ter sido o assassino de uma sequela de Halloween, mas gostava mais da realidade como defesa-central. Uma vez houve um adepto que protestou contra a forma como Bené deixou fugir o jogador que marcava à zona num canto e Bené sacou de um bisturi para o disciplinar. Valeu o Luís Freitas Lobo para dizer que a responsabilidade pela marcação ao avançado era do segundo ponta-de-lança que devia ter recuado para compensar a subida dos centrais, o adepto retractou-se e coisa ficou por ali. Mas Bené não esqueceu e ainda hoje se queima com cigarros acesos quando se recorda desse infame episódio.

Jorge era a cara chapada de um ex-presidiário. Alguém que fugiu de um estabelecimento prisional num carro da lavandaria, ou que degolou alguns guardas prisionais na sua fuga com uns lençóis atados através da janela cujas grades foram desgastadas por uma lima escondida dentro do bolo de aniversário trazido pela sua prima, ou por intermédio de um túnel escavado com uma colher durante anos. A sua alcunha era “167-716”, ou simplesmente “o Metralha”. Detestava o Sporting, por ter equipamentos às listas horizontais que recordavam-lhe o presídio. Dentro de campo era inflexível. No balneário ninguém queria tomar banho ao lado dele e foi na sua altura que se começou a generalizar o uso de gel de banho em detrimento do sempre fugidio sabonete. Nunca sorria. Era de poucas palavras. Quando abria a boca, era para afugentar os avançados com o seu bafo indescritível: o bafo de Jorge era o Chanel nº5 do pivete.

Porém, nem tudo era má cara em Guimarães. Três simpáticos africanos faziam o contrabalanço com a sisudez de Bené e Jorge. M’Bouh era um gajo cinco estrelas. Uma pessoa perguntava-lhe “Ó meu, queres vir connosco?” e ele “M’Bouh, M’Bouh!”. Nunca dizia que não. N’Dinga dispensava apresentações, de tão carismático que era este zairense. Com uma expressão tranquila e uma calma que transpirava sapiência, N’Dinga foi o guru espiritual vimaranense na transição da década. E para Basaúla, todo ele sorrisos e gargalhadas que perfaziam o dobro do volume das suas tímidas orelhitas, nunca havia stress, a vida era para curtir.
Com estes três não havia problemas de relacionamento, de tão bem dispostos que eram. Até porque mal compreendiam o português e quase ninguém falava o basaa ou o kituba. O mais fácil era comunicarem com djembés e danças exóticas que acabavam invariavelmente com uma lança espetada no relvado.

Mas com Bené e Jorge era complicado. Ziad deixou uma vez uma nota de mil escudos escondida debaixo das caneleiras no balneário e quando regressou já lá não estava. Lavado em lágrimas, queixou-se ao presidente. Chegou Pimenta ao Machado do dirigente, que ordenou aturado inquérito para apurar responsabilidades. Duas pessoas desapareceram, outras duas foram assaltadas e várias receberam ameaças telefónicas à sua integridade física e à dos seus. Ziad deixou de marcar golos durante semanas, psicologicamente devastado. Finalmente, a época acabou. Bené e Jorge foram oficialmente dispensados, mas há quem diga que violaram a sua liberdade condicional e foram recolhidos pelas autoridades. Ziad recuperou, enfim, os seus mil escudos. E foi feliz para sempre, marcando golos atrás de golos e deixando para trás o velho trocadilho jornalístico que lhe ensombrou durante o jejum de golos: “mais uma tarde aziaga para Ziad”.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Ludemar... quem?

Pois é, aposto que nem o Anthcouet e o Neca se lembram do Ludemar.
Reforço do Belenenses em 2002/2003 vindo do Náutico.



Com esta bela fronha, nao admira que tivesse tido problemas disciplinares um ano mais tarde no Leiria! uuuuuuuuuuuhhhhhhhhh... medo Ludemar!
Ainda por cima partilhou o balneário com um gajo chato , sempre a cantar, como o Helton. Um defesa que só pensava em ter fitinhas na cabeça e em jogar futebol de praia,de seu nome Bilro.
Um maluco como o Peixe, um Otacílio na sua melhor forma, um Maciel que lhe escapava como uma enguia, no balneário, entre um sabonete e um frasco de gel. E ainda um Douala que nao se decidia entre skinhead, tranças, cabelo amarelo, rapado...etc..
Um gajo dá em doido!!
Ludemar, estamos contigo..!! mesmo que agora jogues no Barra do Garças, de uma região recôndida do Brasil.

quinta-feira, abril 29, 2010

A moustache by any other name would look as fluffy.

Corria o ano de 1996, ano mítico para a história do Sport Lisboa e Benfica em que após um início de época imparável, o "glorioso" descambou para um dos maiores cocós futebolísticos de que há memória.

Parte integrante de uma “equipa-maravilha”, como chegou a ser vaticinado no início, onde pontificavam, entre outros, craques como Hassan, Mauro Airez, Luiz Gustavo e Martin Pringle….o Matador - como era conhecido entre os colegas do chope, talvez por ser ele o fornecedor da carne para os churrascos - chega ao Benfica vindo do São Paulo do Brasil para fazer meia época… O suficiente para marcar o clube da luz e os nossos corações.

Dono de uma técnica invejável e de uma capacidade física notável, Valdir sobressaía fortemente devido à sua farfalhuda concentração capilar no lábio superior, facto que lhe granjeou o cognome de “Valdir Bigode”, que posteriormente lhe foi muito útil aquando da sua transferência para a Arábia Saudita, mas vamos por partes.

Poucos segundos depois de nascer, Valdir já granjeava o seguinte comentário da parteira: “Pô gente, essi minino vai ser jôgadô dji futchibou!, olha só pra essi bigodji!” (é preciso relembrar que estávamos no inicio dos anos 70, e nessa altura ter bigode era um dos requisitos para se ser o verdadeiro futeboleiro… mais ou menos o que se passa hoje em dia com o Cabelinho à Maniche). Aí ficou então traçado o destino de ‘Valdirzinho’ – como era conhecido pelos amigos da favela - iria ser jogador da bola!

Após a formação futebolística, onde pontificou nas equipas de futsal, futebol de praia, futvólei, futminton e futby da colectividade do seu bairro-natal, eis que chega a oportunidade de se estrear nas ‘grandes ligas’ ao serviço do Vasco em 1992, ganhando grande admiração da torcida e também por parte dos colegas, nomeadamente de Roberto Dinamite que disse: “…o Valdir além de ser um grande goleador, é também um excelente cortador de carnes.”

Ao fim de três épocas gloriosas, em que Valdir conquistou uma série de troféus (entre eles o de melhor picanha e o bife mais tenrinho do Rio de Janeiro), foi contratado por outro histórico, vulgo o São Paulo. Seria aqui que a sua performance no campo da charcutaria e abates de gado atravessaria o Atlântico onde os responsáveis benfiquistas, atentos como sempre e com necessidade de organizar uma tainada, e sabendo de antemão que as melhores carnes são as da América do Sul, decidiu adquirir os serviços de Valdir Bigode.

Em plena época de 96/97, numa fria manhã de Dezembro, aterrava o voo número 457 da Varig no aeroporto de Lisboa… Voo histórico nos anais benfiquistas, pois ao mesmo tempo chegava Valdir à Doca de Santo Amaro no interior de um contentor vindo de Terras de Vera Cruz que continha também, entre outros, Lúcio Wagner e Luiz Gustavo sendo os únicos que resistiram à fome e peste na extensa área de 6 m2 do contentor – o mesmo já não se pode dizer das grandes promessas que acompanhavam o craque, nomeadamente Doricleivison Jr. e o infeliz Marcelo Ramiro Camacho, vedeta do Bangu, que durante a viagem foi abusado sexualmente pelos colegas, que o apelidaram ‘carinhosamente’ de Ho.

Mas Valdir Bigode chegou enfim aos píncaros do afecto da massa associativa encarnada, não só pelo seu futebol estonteante mas também por patrocinar uma cadeia de roulottes de bifanas e couratos nos arredores do estádio da luz, razão pela qual o seu colega de equipa Martin Pringle apanhou várias diarreias fulminantes, resultando nas suas correrias desenfreadas no intervalo dos jogos em casa… Quem se queixava era Bermudez, que durante os estágios levava uma mala cheia de vaporizadores ambiente para disfarçar o cheiro, resultando na sua ida para a Argentina… O colombiano nunca mais foi o mesmo.

Mesmo demonstrando toda a sua qualidade (futebolística e de charcutaria), o Sr. Bigode transferiu-se no final da época de volta para o Brasil, nomeadamente para o Atlético Mineiro, dado terem surgido abaixo-assinados e várias manifestações para o regresso do jogador: aparentemente havia várias famílias ansiosas pelo regresso do matador e das suas carnes.

Futuramente, Valdir passou pelos Emirados Árabes Unidos onde representou o Al Nasr, acabando a sua frutuosa carreira no Al-Nassr da Arábia Saudita.

Bigode possui hoje uma cadeia de talhos e casas de abate, continuando a sua lenda de Matador, dando aulas de xadrez a deficientes mentais nas horas vagas, pois segundo ele: “Faz-me lembrar os tempos em que brilhei no Benfica”.

E sim, Valdir ainda hoje ostenta o seu bigode com orgulho!


Post Scriptum Cromatium: Este arroto com leve odor a bolo alimentar foi regurgitado pelo omnipotente SEPH, do blog "O Dia Seguinte". Para quaisquer reclamações, visitem o referido site e demonstrem toda a vossa indignação para com o escriba. Bem Hajam.

segunda-feira, março 08, 2010

O Pequeno Quim

A rede balançava, ele dançava, o público jubilava, e Deus – algures – exultava.

Vivaça era a vida do Pequeno Quim, grande no porte, insurrecto petiz de alma, sangue ardente no esculpido corpo, seu instrumento de trabalho. O Pequeno Quim era assim: exuberante como uma multicolorida borboleta, crisálida de eleição, e potente como um furioso touro, acicatado pelo vermelho-chama do fogo que lhe alimentava o Ser: o golo.

Incompreendido pelo estimado mentor (“one touch, two touch, quimmzin-ho goal”), o flamejante aríete do continente negro procurava refúgio nas bancadas, onde era amado como nenhum outro, em pleno auge feudal de D.Mário Jardel, o Primeiro. O Mantorras antes do Mantorras, este sim, a alegria do Povo, com dois joelhos e tudo – pois sem eles não conseguiria bailar Kuduro. Endiabrado, o Pequeno Quim.

Futebol-esquadro? Coisa para operários com bota quadrada, mais Alfaias que Nandos, menos Constantinos que Caos. Geometria sempre foi coisa para maricas. Futebol é Paixão, Calcio não é Catenaccio e Prof. Neca não é senão um calvo Darth Vader, enviado da Estrela da Morte para nos sugar o prazer da sumarenta clementina do beautiful game. O Pequeno Quim não nascera para traçar rectas a esquadro – o Pequeno Quim era o anti-Custódio, antes gingar que quebrar, nascera para emocionar, negra pantera de tardes gloriosas com o azul Dragão ao peito.

Porém, sempre apaixonado pela polémica, o Bigode de António Oliveira decidiu não ouvir os apelos da bancada. A central pedia Quim, a superior pedia Quim, até o tribunal por Quim clamava. Mas a única emoção a Quim ofertada, foi a da despedida. Uma dura, amarga despedida.

Já que o Pequeno Quim se assemelhava a uma locomotiva desgovernada nos trilhos do tapete verde, lá decidiu fazer da fama proveito e transformar a sua carreira numa espécie de percurso de Intercidades que pára em tudo o que é apeadeiro sem pedir licença.

Assim, fica a recordação da trajectória CP-style, com atrasos, croquetes a bordo, crianças a chorar, e claro – golos a brotar do ar condicionado desta carruagem em alta rotação: Leiria, Vila do Conde, Faro, Vila das Aves, Alverca e Estoril. All aboard, the Quim Train.

Sob a asa de um génio indomável, a locomotiva atravessou Oceanos, atropelando Peixes e engolindo Figos, chegando assim à China, continente sem Brunos ou Coentrões de cabelo pejado de parafina.

Qiao Ji Ma, nova identidade do petiz vagão ferroviário, corcel indomável no continente amarelo de carroça puxada a arroz. “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet”, já dizia Mark Pembridge. Qiao Ji Ma concordava, acenando afirmativamente com o seu potente crânio. O título pode ser outro, mas o texto conhecia semelhante epílogo: golo, golo e mais golo. Ou Kwame Ayew – é assim que se diz golo em chinês…ou pelo menos foi o que o Duah nos contou.

De qualquer forma, após menear as ancas pelas bandeirolas de canto um pouco por toda a Ásia, Qiao Ji Mu decidiu regressar ao País que o viu nascer – o País que deu nome a Zé D’Angola, curiosamente um orgulhoso cabo-verdiano. Ou se calhar não será assim tão orgulhoso, mas cabo-verdiano é de certeza. E o Pequeno Quim - esse - é de novo Pequeno Quim: irreverente, poderoso, calvo, e apostado em tratar a bandeirola de canto como Axl Rose tratava um microfone, pois com Pequeno Quim, o rock n roll nunca morrerá.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Petições Para Que Vos Quero

As petições. Ah, as petições, as petições… O que seria deste mundo sem as petições? O que seria do Rui Santos sem uma petição? Provavelmente, apenas mais um viciado em gel barato, aos caídos pelo Intendente, ressacando pela sua dose diária de azeite. É uma pergunta que ele pode deixar a si próprio para responder no próximo programa.
As petições, hoje em dia, são conhecidas pela enorme relevância que assumem no caos democrático em que vivemos. Por exemplo, Rui Santos conseguiu mobilizar para a sua petição personalidades tão afastadas do futebol como Almeida Santos, Bárbara Guimarães ou Cuíkeh Flores.
Há quem pense que as petições são coisa nova. Mas não. Pelos menos, já desde os tempos da queda do Muro de Berlim que circulavam petições por aí. Eis três exemplos.

1 – Petição “Meninas Não Entram Em Chaves”

Em 1991, Slavkov deslumbrava nas margens do Tâmega. Com os seus passes desenhados a régua e esquadro e bolas que faziam cuchi-cuchi às redes, Slavkov levava todo o povo flaviense a sonhar de olhos abertos. Pudera. Os olhos não se podiam distrair daqueles postes de iluminação com publicidades monstruosas a uma entidade de construção civil com um nome tão catchy como era a ACCIOP. Mas, lá no fundo, Slavkov não andava bem. Sentia falta do velho bigode que personalizava a mística transmontana. Ultimamente, o balneário andava tão imberbe que até a mais pueril das ginastas da ex-RDA faria um figurão. Radi, Zdravkov para os amigos, tinha abalado e com ele levado um pouco do coração de Slavkov. É que Radi (não confundir com Rudi, por favor) era dono de um excelso bigode de inspiração bárbara que era capaz de mobilizar toda uma horda de guerreiros sedentos de bom futebol apenas com um pequeno esgar, como podemos constatar neste pictograma de 1988:
Este bigode era capaz de motivar todo um balneário, toda uma equipa, toda uma região. É certo que Diamantino, o capataz flaviense, possuía um bigode de fazer inveja a qualquer taberneiro que assa frangos de mangas arregaçadas com um avental da Scotch-Brite. Todavia, Diamantino já anunciara a sua retirada e a sua total dedicação ao negócio de enchimento de alheiras. Foi então que Slavkov, não conseguindo esconder o seu défice de carinho atrás do seu rosto quadrado, fez passar a sua petição, requisitando mais pilosidades infra-nasais no Desportivo local, de preferência farfalhudas.
Paulo Alexandre foi logo o primeiro a assiná-la, convencido que só o bigode de Manuel Correia seria insuficiente para assegurar a consistência do eixo defensivo. Lila também assinou de bom grado, pois tudo o que distraísse o público do seu nome que fazia pesadelos a Fernando Seara era bem-vindo. Depois Rudi assinou por simpatia. Vule assinou de cruz. E todos os outros se seguiriam, incluindo o próprio Diamantino, ciente que o seu testemunho seria passado a um rosto suficientemente viril.
O resultado final: um enorme sucesso. Chaves foi presenteado não com um, mas sim com dois bigodes – o portuguesíssimo Tavares e o obscuro búlgaro Tanev, recrutado numa taberna de Plovdiv. Agora Slavkov podia sorrir outra vez. Mas não o fez. Porque Slavkov jamais sorria.

2 – Petição “Mais Sal Para o Futebol Madeirense”

Na pérola do Atlântico, os canários piavam fininho. Isto porque havia pouca substância futebolística na torre de Babel em que se tornara o União. Entre balões e desmarcações desconexas, Markovic discutia com Lepi, este barafustava com Jairo, Jairo repreendia Dragan enquanto este se agastava com Stilic, e Nelinho, o português, perdido no meio, dizia “hã?”. O que faltava em golos sobrava em confusão.
Vai daí, Nelinho, pequeno no nome mas com enorme espírito de resistência, empreendeu uma petição em que clamava pelo verdadeiro sal do futebol: os golos. Para tal, precisava que a direcção reforçasse o clube com mais trunfos.
Nelinho explicou a questão aos colegas, em português. Isto levou cada um deles a interpretar à sua maneira a explicação de Nelinho. Por exemplo, Markovic escondeu a Bíblia do Marco Aurélio no cacifo do Valadas e Edilson começou a correr à volta do campo sem objectivo aparente. Mas Nelinho lá conseguiu recolher um número aceitável de assinaturas, não contando todavia com a receptividade de Matias, que protestou “Qu’esta m**da, car***o?!?”.
A direcção sensibilizou-se e respondeu com a contratação do equatoriano Quiñonez. E depois com o brasileiro Manu. Nelinho exasperava com as dificuldades de comunicação. O sal do futebol continuava ausente. Até que a direcção, farta das exigências de Nelinho, arranjou-lhe o mais próximo que conseguiu:
Não foi sal, foi Pimenta. E, curiosamente, este nem sequer marcava golos, quanto muito tentava evitá-los com o seu portentoso par de sobrancelhas.
Nelinho, desalentado, acabou por desistir das petições. Dedicou-se antes a cursar sérvio, espanhol, algum búlgaro pelo sim pelo não e linguagem gestual, na qual se graduou com distinção.

3 – Petição “Se Um Caccioli Incomoda Muita Gente, Dois Cacciolis Incomodam muito Mais”

Milton Caccioli
, a calva mais conhecida do Minho, elevou-se desde cedo à condição de mito – facto reconhecido humildemente pela Cromos da Bola, SAD. A sua presença em campo significava um bom espectáculo. Hoje a sua presença fora de palco significa uma boa pizza. Caccioli estava de facto destinado para grandes feitos. Os adversários tremiam com o brilho da sua careca refulgindo ao sol e os colegas bebiam os raios de luz que saíam dos seus pés sob a forma de bolas de Berlim carregadas de açúcar e creme. A cabeça de Caccioli apenas pensava em futebol, passes rasgados e tabelinhas mágicas, pelo que nem havia espaço para o cabelo crescer em terreno futebolisticamente tão fértil.
Cientes que Caccioli era o Rei Midas de Famalicão, o plantel apressou-se a engendrar uma estratégia de capitalização do seu maior activo – ou seja, seria possível multiplicar o efeito-Caccioli? O plantel elaborou uma petição nesse sentido e a resposta foi um retumbante “sim”.
Não foi sequer preciso recorrer a gente rebuscada, como políticos, músicos ou apresentadores de TV. Nada disso: a resposta estava no próprio plantel. O seu nome era Luís Miguel. Podia ter sido um Carlos Alberto ou Pedro Alexandre qualquer, mas o escolhido foi Luís Miguel. Uma vez designado por unanimidade o novo Caccioli, Tanta, Lula e Ben-Hur retocaram Luís Miguel. Deram-lhe uns encontrões, cortaram-lhe o cabelo à chapada, pisaram-no aqui e acolá, mandaram-lhe uns quantos berros bem dados e Luís Miguel ficou pronto.
Estava lá tudo: a pose, a calvície e o olhar de desafio ao sol. Luís Miguel era a sósia que Caccioli nunca sonhou ter no próprio plantel.
Mas Luís Miguel não aguentou a responsabilidade. Não estava preparado para ir aos céus tão repentinamente. Ao fim de seis jogos, os seus nervos quebraram e Luís Miguel ficou feito em fanicos. Há quem diga que foi o Tanta, o Menad desconfiou do Lula, o Ben-Hur assobiou para o ar. O certo é que Luís Miguel não conseguiu ser o Caccioli que todos desejaram. A petição, contudo, tinha sido um sucesso sem paralelo.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Au Revoir

Da Ponta Grossa chegaste, e de fininho saíste. De permeio, quebraste corações. Furaste redes. Deixaste marcas inusitadas gravadas a paixão e uma insaciável sede pela arte do golo.
Porque no fundo foste um artista.

Nem sempre esteticamente belo, é certo. Por vezes caótico e desordenado como um Jackson Pollock, mas nunca deixavas a tela por preencher. Colorida, a óleo, guache, ou com um simples pastel, a tracção total da tua arte não deixava ninguém indiferente. Eras um chiaroscuro num Mundo de sfumatos.

Eras Severo com os defesas contrários, que fraquejavam na marcação com o simples vislumbre das tuas golas levantadas ou camiseta escarlate. Serias tu uma alucinação ou Old Trafford teria feito uma visita à depauperada liga Nacional?
Um ameaçador "au revoir" ecoava nas ocas mentes de todos esses centrais que ensandecidos julgavam poder travar a tua sede pelo pote. Tristes coitados. Joelhos tremiam, olhos humedeciam, e tu - sem piedade - aguçavas a tua imparável paixão pelo horizonte. O teu horizonte tem quatro letras e chama-se "golo".

De cabeça présque rapada, gola levantada e um casual desprezo pela profissão que te põe o bagaço na mesa, tu puxas a culatra atrás e disparas.
Um tiro? Prefiro chamar-lhe um beijo. Um beijo de morte, um beijo de paixão, de desdém, de amor-ódio. Um ácido beijo que corrompe as outrora doces redes que separam o esférico das bancadas após ultrapassar a linha delimitadora da glória.

Ao fim e ao cabo, é de glória que tratamos. De grandiosidade. Da arte, da vida, da solidão da genialidade e da inspiração que bebemos da fonte divina. Tu, amigo, foste Deus e Diabo. Apagaste incandescentes Luzes e derrubaste graníticas Antas. Sentaste Zeus a teu lado e degustaste com ele um opíparo manjar. Persuadiste Vénus a partilhar contigo uma quente noite de paixão.

Ensinaste a arte do esférico ofício a bancadas de incautos simplórios que só queriam ver a sua equipa vencer. Porque futebol é muito mais que isso. Muito mais que vencer ou perder. Tu crias, tu destróis. Fazes mitos nascer com um mero olhar determinado - gélido na sua expressão, quente na sua profundidade. O desporto não existe. O desporto és tu, e o teu pincel. De Ponta Grossa ou fina, o Mundo é a tua tela e a bola o teu veículo.

Ensina-nos, Cantona de Paranhos. Sorri, no típico esgar jocoso dos predestinados. Levanta as golas e fura as redes. Dobra os postes. Verga os defensores. Porque entre nós público, e tu artista, não há cumplicidade. Há desprezo e admiração, há voyeurismo e genialidade. Há sedução.

Nunca deixes que te digam que foste uma mera imitação. Um falso ídolo de pés de barro, um Buda comprado na Feira de Espinho. Nada disso.

Tu és a vida. Severa como ela só sabe ser, marcante como só ela pode marcar.
Tu és Severo, Marcos. De bola no pé, e golo no placard.

Au revoir.

domingo, fevereiro 01, 2009

Gala Cromos da Bola 2008 - Triplo Salto para Meyong


A noite não poderia ficar completa sem a atribuição do Rui Óscar para Triplo Salto, e "Saw 3" dizimou a competição - que era basicamente nula, dado que os consecutivos mergulhos de João Moutinho para a piscina/relvado foram alvo de desclassificação, consequência da impossibilidade do futebolista leonino superar o limite mínimo de idade.

Meyong - A história do jogador visto no maior nº de clubes, em tão poucos minutos.. O titulo do filme podia ser "Meyong, um jogador Ping-Pong", mas à última da hora mudou para este retumbante êxito de bilheteira. E assim é premiado com o Rui Óscar do triplo salto...
Meyong começou no Levante, cedo passou para Albacete e tarde acabou no Belenenses. Para Zé Meyong , qual Zé Portuga.. para ele não há regra que o apanhe.. até que .. alguém o viu nos 3 clubes. Uma sequela de terror e suspense, em que o sangue de Carlos Janela jorrou nos dias seguintes a….
I SAW YOU MEYOONG! THREE TIMES MEYONG!

Na hora da celebração, o Zé dos Camarões presenteou o grande público com uma sensual dança do ventre, que lhe valeu um piropo muito especial por parte de Hans Vimmo Eskilsson.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Onde Pára Kirovski?

Jovan Kirovski nasceu numa cidade chamada Escondido, lá para os lados da Califórnia. Em jeito de premonição, esconder-se estava-lhe no sangue. Já o futebol parecia coagular-lhe as artérias… mas a América é a terra das bizarrias e o Tio Sam não se importou muito que Kirovski se dedicasse ao soccer, essa excentricidade enfadonha tão querida dos europeus: pelo menos onze tipos naqueles 50 estados teriam que o fazer.

Quis o destino que Kirovski viesse para Portugal e que homenageasse a sua cidade natal durante a sua estadia. E Kirovski levou esta homenagem muito a peito.

No início da época 2000/2001, Augusto Inácio, movido por uma aparente ingenuidade, quis alegrar o ambiente e promoveu umas brincadeiritas aqui e ali. Deu uns hula hoops para o Horvath praticar a sua agilidade de dentes, jogou à macaca com o Mbo Mpenza, definiu um programa específico de "mata-caldo" para o César Prates e, para um exercício colectivo, tapou os olhos e contou até 100.
Ui!, o que foi ele fazer… Mister Inácio mal sabia com quem se estava a meter. Foi como dar uns pitons afiados ao BrunoEl Codo de HierroAlves. Kirovski esfregou as mãos, satisfeito por poder demonstrar toda a sua valia técnica.

Um a um, os jogadores foram aparecendo. Bruno Caires foi o primeiro, pois nem conseguiu sair da frente de Inácio. Acosta, a contas com a sua ciática, também não demorou muito. E eles iam aparecendo, inclusivamente Mahon e Babb, apanhados dois meses depois no Irish Pub do Cais do Sodré, e Toñito, que afinal esteve sempre escondido debaixo de um pino no campo de treinos. Mas de Kirovski… nem sinal.
O americano não desarmava. Inácio contratou Hugo, ainda com uma réstia de cabelo a preencher o cocuruto, para tentar encontrar Kirovski com a sua impressionante habilidade de desarme… mas sem resultados. Hugo desmoralizou-se de tal forma que entrou numa espiral depressiva galopante, acabando como todos nós sabemos. Mário Cáceres, entretanto, enviou um postal do Chile onde se lia “rebenta a bolha!”, clamando pelo fim da brincadeira que julgava ferida de legalidade, mas Inácio não acatou a solicitação do chileno e considerou que Cáceres fez batota. A busca prosseguiu.
No auge do desespero, Inácio encheu Alvalade de hambúrgueres e coca-colas a ver ser Kirovski dava parte de fraco. Debalde. Spehar, com muita fome de golos e de fast-food em geral, enfardou todos esses iscos e com isso ganhou, para além de uma azia brutal, um free-pass para a bancada de Alvalade.

Por fim, Inácio desistiu. Manuel Fernandes, o homem que muitos sarilhos provocou a 14 de Dezembro de 1986, entrou em funções e estabeleceu como ponto de honra encontrar o esquivo Kirovski.
Até que um dia, Manuel Fernandes e todo o grupo de trabalho distraíram-se com uma soberba execução técnica de Bino, que, de tão excelsa e inusitada, até levantou os cabelos dourados de Edmilson Pimenta. Aproveitando o deslumbramento geral, Kirovski, saído de nenhures, correu lesto até ao local de contagem e proclamou heroicamente:
- One, two, three, Kirovski saves all!!!
Faltavam apenas 2 dias para terminar a época. O plantel não se sentiu particularmente salvo e Delfim até já tinha perdido um ligamento cruzado, dois meniscos e meio tendão de Aquiles. Foi uma vitória de Pirro, com sabor agridoce.
Manuel Fernandes, porém, admitiu a derrota.
- Parabéns, Jovan, ganhaste. Mas nós queríamos mesmo que tu tivesses jogado algum futebol.
- Soccer? What the hell? Wasn’t this supposed to be a season-long hide-and-seek game?
- Por acaso não era, Jovan. Estás a ver aquele avião ali? É um low-cost que vai para a Inglaterra. Queres tentar a tua sorte por lá?
- Do I have a choice?
- Não. E leva o Mahon contigo.

Kirovski, com emoções cruzadas, pegou na sacola e lá foi tentar exibir as suas qualidades Copperfieldianas para a Velha Albion. No Crystal Palace até jogou algum futebol, mas seria em Birmingham que se dedicaria novamente à arte da ocultação pessoal. Com um sucesso retumbante, diga-se. Quando o vislumbraram, já Kirovski cruzara o oceano, rumo à sua terra prometida.
As saudades falavam mais alto, sentia falta das grandes pick-ups e do saudável odor a gordura frita. Abalou para o celestial LA Galaxy, onde a carreira de futebolista propriamente dito descolou, qual foguetão. Porém, o fuel faltou ao fim de pouco tempo, os genes acabaram por falar mais alto: a passagem por Colorado foi Rapid(a) e em San Jose nem vários Earthquakes o permitiram encontrar. Resultado: o regresso à galáxia de LA, onde uma profunda melancolia pelo facto de Abel Xavier já não estar presente poderá afectar as suas capacidades. Quaisquer que estas sejam.

Avançado exótico ou o homem que mais jus faz ao nome da sua terra natal, você decide.
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